Calor excessivo: por que sinto tanto calor e o que fazer?

Calor excessivo: por que sinto tanto calor e o que fazer?

Sentir o corpo superaquecido, mesmo em repouso, pode indicar desde desidratação até condições hormonais que exigem atenção.

O dia está quente e, mesmo na sombra, o calor excessivo parece sugar sua energia, deixando uma sensação de cansaço e mal-estar. Essa situação, cada vez mais comum, não é apenas um incômodo. Trata-se de um sinal de alerta do seu corpo, que luta para manter a temperatura interna estável.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, entre os anos de 2000 e 2019, aproximadamente 489.000 mortes anuais foram relacionadas ao calor extremo em todo o mundo. Desse total, 45% ocorreram na Ásia e 36% na Europa.

Entender por que isso acontece é o primeiro passo para se proteger e garantir seu bem-estar durante os períodos de altas temperaturas.

O que é considerado calor excessivo no corpo?

A sensação de calor excessivo, ou hipertermia, ocorre quando o corpo absorve mais calor do que consegue liberar. Nosso organismo possui um sistema de termorregulação, cujo principal mecanismo é o suor. Quando o suor evapora, ele resfria a pele e ajuda a baixar a temperatura corporal.

Calor excessivo: por que sinto tanto calor e o que fazer?
Calor excessivo: Entenda as causas e saiba como agir. Continue lendo e cuide-se

Contudo, em dias muito quentes e úmidos, ou devido a fatores internos, esse sistema pode ficar sobrecarregado. Assim, a temperatura do corpo começa a subir perigosamente, gerando uma série de sintomas e riscos à saúde. 

Nessas situações, o calor intenso pode até mesmo causar estresse às células, reduzindo a produção de certas proteínas que fazem parte da resposta do corpo para lidar com o superaquecimento.

Quais são as principais causas do calor excessivo?

A sensação de superaquecimento pode ter origem tanto no ambiente externo quanto em processos internos do nosso corpo. Identificar a causa é fundamental para adotar as medidas corretas.

Fatores ambientais e comportamentais

Na maioria das vezes, a causa é externa. As principais situações que levam ao estresse térmico são:

  • Ondas de calor: períodos prolongados de temperaturas muito acima da média, conforme alertado por órgãos como o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde do Brasil frequentemente emite alertas sobre as ondas de calor, reconhecendo seu impacto significativo na saúde da população.
  • Alta umidade do ar: a umidade dificulta a evaporação do suor, reduzindo a capacidade do corpo de se resfriar.
  • Atividade física intensa: exercícios vigorosos elevam a temperatura corporal interna, especialmente sob o sol ou em locais abafados.
  • Desidratação: a falta de líquidos no corpo diminui a produção de suor, comprometendo a termorregulação.
  • Roupas inadequadas: tecidos sintéticos e escuros retêm calor e impedem a ventilação da pele.

Condições médicas e fisiológicas

Às vezes, a sensação de calor vem de dentro, mesmo em ambientes com temperatura amena. Isso pode ser um sinal de alguma condição de saúde subjacente.

Alterações hormonais

Os famosos “fogachos” da menopausa e da andropausa são ondas de calor súbitas causadas pela flutuação de hormônios como estrogênio e testosterona.

Hipertireoidismo

A tireoide hiperativa acelera o metabolismo, fazendo com que o corpo produza mais calor.

Febre

A febre é uma resposta natural do corpo a infecções, elevando a temperatura para combater vírus e bactérias.

Doenças crônicas e outras condições

Doenças cardíacas, neurológicas ou problemas de circulação podem afetar a capacidade do corpo de regular a temperatura. 

Em alguns casos, o crescimento acelerado de tecidos cancerosos também gera mais calor devido ao aumento das reações bioquímicas e do metabolismo. Isso resulta em temperaturas mais altas do que os tecidos saudáveis ao redor.

Hipertermia maligna

Esta é uma condição de suscetibilidade genética rara que causa calor excessivo no corpo. Ela é desencadeada por fatores como certos anestésicos usados em cirurgias ou, em algumas pessoas com predisposição, por exercícios em ambientes quentes. Essa suscetibilidade está ligada a variantes em genes específicos.

Uso de medicamentos

Alguns medicamentos, como diuréticos, anti-histamínicos e certos antidepressivos, podem interferir na produção de suor ou na resposta do corpo ao calor.

A avaliação de um profissional de saúde é indispensável para diagnosticar e tratar essas condições.

Quais sintomas estão associados ao calor excessivo?

O corpo emite vários sinais de que está lutando contra o calor. Ficar atento a eles é crucial para evitar complicações graves, como a exaustão térmica ou a insolação.

Os principais sintomas incluem:

  • suor intenso ou, em casos graves, a ausência dele;
  • pele avermelhada, quente e úmida;
  • tontura e vertigem;
  • dor de cabeça forte;
  • náuseas e vômitos;
  • cãibras musculares;
  • fadiga extrema e fraqueza;
  • confusão mental e irritabilidade.

Como aliviar o desconforto do calor em casa?

Quando o calor é causado por fatores ambientais, algumas medidas simples podem trazer alívio rápido e prevenir problemas mais sérios. Adote estas práticas no seu dia a dia:

  1. Hidrate-se constantemente: beba bastante água, mesmo sem sentir sede. Sucos naturais e água de coco também são boas opções. Evite álcool e bebidas com muita cafeína, pois podem desidratar.
  2. Procure ambientes frescos: permaneça em locais climatizados ou bem ventilados. Se não tiver ar-condicionado, use ventiladores e borrife água no corpo.
  3. Use roupas leves: opte por tecidos naturais, como algodão e linho, e cores claras, que refletem a luz solar.
  4. Tome banhos frios: um banho morno ou frio ajuda a baixar a temperatura corporal rapidamente. Toalhas úmidas no pescoço e nos pulsos também funcionam.
  5. Faça refeições leves: prefira alimentos como saladas, frutas e legumes, que são mais fáceis de digerir e ajudam na hidratação.

Quando o calor excessivo se torna uma emergência médica?

A exaustão pelo calor pode evoluir para a insolação, uma condição grave que representa uma emergência médica e pode ser fatal. É vital saber reconhecer os sinais de alerta.

Procure atendimento médico de urgência imediatamente se a pessoa apresentar:

  • temperatura corporal acima de 39,5°C;
  • pele quente, vermelha e seca (sem suor);
  • pulso rápido e forte;
  • confusão mental severa ou delírio;
  • perda de consciência ou desmaio;
  • convulsões.

Enquanto aguarda o socorro, leve a pessoa para um local fresco e tente resfriar seu corpo com panos úmidos ou um banho frio.

Quem corre mais risco com as altas temperaturas?

Alguns grupos são mais vulneráveis aos efeitos do calor e devem ter cuidados redobrados. Isso acontece porque a capacidade de termorregulação pode estar comprometida ou menos eficiente.

Grupo de RiscoMotivo da Vulnerabilidade 
IdososMenor capacidade de perceber sede e de suar, além da maior prevalência de doenças crônicas.
Crianças pequenasSistema de termorregulação ainda em desenvolvimento e maior dificuldade para comunicar desconforto.
Pessoas com doenças crônicasDoenças cardíacas, renais, diabetes e obesidade podem dificultar a resposta do corpo ao estresse térmico.
Atletas e trabalhadores externosExposição prolongada ao sol e esforço físico intenso aumenta drasticamente o risco.

O acompanhamento regular com um médico é fundamental para pessoas desses grupos, que podem precisar de orientações específicas para se protegerem.

Em suma, sentir calor em excesso pode parecer algo simples, mas é um sinal de que o corpo está pedindo atenção. Seja por causa do clima, de hábitos diários ou de alguma condição de saúde, entender o que está por trás dessa sensação é essencial para se proteger e evitar riscos maiores. 

Manter-se hidratado, buscar locais frescos e respeitar os limites do corpo são atitudes que fazem a diferença, especialmente em tempos de calor intenso. 

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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